domingo, 4 de outubro de 2020

UM POEMA DE CÉSAR MAGALHÃES BORGES


Desejo o heroísmo de um dia comum,
A obra-prima do dever bem feito,
A nobreza de quem não é rei,
A virtude de quem tem defeitos. 

A maior paz vem
da convivência de opostos,
postos lado a lado
pelo respeito

 Os grandes santos
Não esperam a vida eterna
com a morte no altar.
Vivem em baixo do mesmo teto
que guarda serventes e arquitetos
e fazem o céu
da vida que do chão trouxeram.

 Estrelas que se põem do céu
não serão guias para nossa esquadra
porque não navegam

 Nômades os cometas
Nada trarão para nossas casas
Visto que não sabem morar

 O velho saberá o novo
pelo que sucede e antecede
e pelo tempo que viveu
Só a irmandade será mãe
De bons conselhos 

E nada
Que ignore o nosso ar
Poderá inspirar vida
Nada que não concatene
Arte e Vida
fará qualquer sentido.

( do livro Canto Bélico )

 

O poeta César Borges é também professor da Universidade de Guarulhos (UNG).O livro Canto Bélico está sendo relançado em  terceira edição. César costuma apresentar suas poesias em espetáculos musicais,com músicas nacionais e internacionais. Sei que ele gosta dos Beatles. Não sei se gosta dos Rolling Stones.


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

J.J. MACEDO



O século apodrece em nossas mãos.
Independente de nós
Indiferente a nós.
Um luz pálida
debruça sobre as sombras do crepúsculo 
e espera que o alvorecer
venha vestir de luz
a nudez escura da incerteza.



terça-feira, 4 de agosto de 2020

UM POEMA DE JOSÉ MANUEL VIVEIROS


Que a alvorada não veja
A mágoa
que o crepúsculo enseja 

José Manuel Viveiros, 
do livro "Inventário de Sentimentos".

quinta-feira, 9 de julho de 2020

UM POEMA DE RINI MARTIN


onde o oásis ?
sigo em frente
deserto só deserto
areia : as areias
o branco reveste meu corpo
a desértica invenção de um espaço
duplas buscas : a poesia e a sede
fogo que devora. aridez total. claros
signos e olhares atentos. o olhar : viagem
e vertigem, esperança ainda

a brancura do deserto
camelos
e rastros : buscas e fugas.

na celebração do desejo : no cântico
das palavras: a palavra saltita
no branco da página
palavras-desertos

oásis ? só águas

 

Rini Martin

do II Concurso Municipal de Conto e Poesia da Prefeitura Municipal de Guarulhos

quarta-feira, 3 de junho de 2020

UM POEMA DE RYNALDO PAPOY



Meu coração 
é como a bandeira de Israel 
no Líbano
 
Quem despreza
viverá o desprezo
 
E eu..cheguei ao limite
Agora, quero 
regurgitar sua imagem
 
Imagem de Universos em criação
Imagens de estrelas explodindo
Imagem de explosões nucleares
em Júpiter
Imagem da luz do sol
invadindo este banheiro.
 
Seus lábios não pertencerão
mais aos meus lábios
 
Dor.
 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

ZÉZINHO FRANÇA



Verso sobre o inverso
de diversos versos
Verso sobre o verso
que me dá na telha ;
Verso sobre o verso
que me dá um nó.
Faço tudo inverso
do que me dá na telha
Faço todo verso
que me deixa só
Invento versos avessos
Inverto veros versos
Faço falsos versos
fatos falsos
Versos em dó.

Zézinho França
(no  Informativo do Grupo Literário Letraviva.)

quarta-feira, 6 de maio de 2020

CASTELO HANSSEN

  

Eu queria fazer uma poesia
que fosse clara como a luz do dia
para ser consumida como o pão

Uma poesia assim
agridoce como a fruta do mato,
pura como a água do regato,
melodiosa como uma canção.

Uma poesia assim,
que trouxesse beleza em cada rima,
para ser cantada no trabalho,
para ser batucada na marmita,
para ser comentada nas esquinas.

Uma poesia assim.
comum e popular como a cachaça
que se bebe barato, que é de graça,
que é do rico, do pobre, do sem nome.
Uma poesia que todos entendessem
como todos entendem a palavra amor
ou a palavra fome...


(do livro Canção pro Sol Voltar )

Ilustração: Joaquin Sorolla Y Bastida
Maria pintando ao ar livre