quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

PEDRO DIAS GONÇALVES


De repente, não sou mais eu
Perco-me tentando explicar os porquês
e esta
saudade faz com que eu
deixe de ser
eu
para ser você !!

( do livro "Moleque Atrevido" ) 


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

JAMIL DIAS PEREIRA



Neste momento,
queima-me o fogo
das coisas que eu não fiz;
e das que tive que fazer

Jamil Dias Pereira
do fanzine Pholhetim
Guarulhos 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

ANGELO MACEDO



Já é tarde
Uma tarde tímida que se vai...
O sol, depois de cumprir sua tarefa
começa ir-se sem tomar conhecimento 
das coisas que deixa para trás..

E eu, aqui estou, acorrentado por mim mesmo !

Escurece mansamente...
Observando, consigo ver a dança das estrelas..
Sórdido momento a que me foi dado o desespero
de ver chegar a noite que traz o vento em seu seio

Consigo sentir o leve toque da brisa que entorna o orvalho
e o repousa nas folhagens dos lírios...
O silêncio é quebrado pelos "donos da noite"...
Os instantes oprimem ainda mais...

Concentro-me em uma estrela distante
e tento um diálogo sem resposta !
Obtenho apenas reflexos !
Adentro a madrugada através de momentos vazios !

Pela manhã, o orvalho escorre à terra
e o vento espalha a poeira..
A gota de orvalho desaparece !
Penso no meu destino !...

Angelo Macedo

( do livro Antologia Letra Viva - Sou Voz ) 
Guarulhos

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

ANTONIO CARLOS CIPRIANO

A VARANDA


Sento-me à varanda
a contemplar a calma tarde
num raiar luzindo do sol
indo deitar ao crepúsculo...
Sinto em mim o nostálgico momento 
e o meu peito arde
quando se aproxima a vindoura hora
do fenômeno augusto
 Lentamente deita-se o sol
por detrás da montanha
Um  rubro vermelho toma conta do céu agora
Arde mais o peito e o momento emociona
ao ver que vagarosamente 
a montanha o sol devora .
Então é devorado o último raio
e as aves se recolhem

Em um só momento calam-se, 
parecendo sofrer um profundo desmaio
 Não mais cantam nem gorgeiam 
nem se ouve um só lamento 
Foi-se o dia, surgiu a noite 
Tudo é treva agora...

Antonio Carlos Cipriano 
( do Informativo Letra Viva, do Grupo Literário Letra Viva )

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

VAGALUME



(ao som do blues)

Todo dia,
antes do pôr do sol
ele pega sua lanterna
e vai pro centro da cidade

Todo dia,
antes do pôr do sol
ele pega sua lanterna
e encontra uma velha amiga mariposa
se debatendo
nos néons coloridos da cidade...


Wanderley B. Carvalho
( do livro "Antologia  Letra Viva Sou Voz" , Guarulhos )



quarta-feira, 30 de outubro de 2019

AS NOSSAS PEQUENAS LOUCURAS

Resultado de imagem para chuva casal

Hoje é dia de reviver os fatos marcantes .
Remexer o baú e tirar velhas fantasias. Sapatos brilhantes e gravatas borboletas.Dançar a valsa e......Outra vez me surpreendo sonhando....
Os meus cabelos.  Esse neve de portos que pousou sobre eles me fascina.
 Fico emocionado. Feliz por acreditar que vivi.
Sou restos de uma era em que as pessoas se confraternizavam
com um simples olhar. Se amavam através de gestos.
As nossas pequenas loucuras são agora flores murchas.
É isso mesmo. Rosas que desfolharam, mas que ainda estão no vaso da sala. É verdade.Como o sol de verão que nos corroe o espírito.
Queima a pele e sua o corpo.
Como a tempestade que deixa no ar um cheiro de terra.
Folhas caídas e um aperto na garganta....

Walter Marcondes Alvarenga,
( trechos de  "As Nossas Loucuras".)
Caderno Literatura do jornal Folha Metropolitana , de Guarulhos



Walther Alvarenga é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero – Fundação Cásper Líbero - , em São Paulo, tendo ocupado o cargo de Editor de Variedades da Rede Metropolitana de Jornais – “Folha Metropolitana” – quando lançou o Caderno de Televisão “Folha TV”; tendo sido colunista do jornal “Metro News”, que circula nas principais estações do Metro de São Paulo, com cerca de 1 milhão de exemplares distribuídos gratuitamente semanalmente. 

Trabalhou como free lancer na Revista Contigo, a convite do então diretor de redação, Walcyr Carrasco, hoje novelista da Rede Globo. Atualmente é repórter do Jornal “Nossa Gente”, o principal veículo de comunicação da Comunidade Brasileira, que circula no Estado da Flórida, nos EUA

sábado, 28 de setembro de 2019

PEDRO DIAS GONÇALVES

A MINHA RUA 




A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Todos se recolhem com os seus problemas,
com o seu silêncio,
e ninguém se lembra de respirá-la.

A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não tem crianças brincando de roda,
não tem namorados no portão,
não tem velhinhos conversando na calçada,
não tem alegria, não tem nada !

a minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não se ouve um soluço de violão
não se ouve uma voz cantando essa canção
não tem serenatas e nem perfume de rosas.
Só muros de concreto coroados de cacos de vidro,
grades de ferro nas janelas,
iluminação a mercúrio e novelas de televisão.

A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Eu sinto uma saudade de outros tempos,
outros lugares, onde a noite era uma poesia
inteira e nua.
Todos queriam senti-la,
Mas hoje aqui neste lugar tão frio,
a minha rua é triste quando a noite chega,
pois eu fico sozinho esperando a lua !

Pedro Dias Gonçalves.
( do livro Momentos )

Pedro Dias Gonçalves pertenceu ao Grupo Literário Letra Viva , de Guarulhos ,
e foi funcionário público municipal.