terça-feira, 4 de agosto de 2020

UM POEMA DE JOSÉ MANUEL VIVEIROS


Que a alvorada não veja
A mágoa
que o crepúsculo enseja 

José Manuel Viveiros, 
do livro "Inventário de Sentimentos".

quinta-feira, 9 de julho de 2020

UM POEMA DE RINI MARTIN


onde o oásis ?
sigo em frente
deserto só deserto
areia : as areias
o branco reveste meu corpo
a desértica invenção de um espaço
duplas buscas : a poesia e a sede
fogo que devora. aridez total. claros
signos e olhares atentos. o olhar : viagem
e vertigem, esperança ainda

a brancura do deserto
camelos
e rastros : buscas e fugas.

na celebração do desejo : no cântico
das palavras: a palavra saltita
no branco da página
palavras-desertos

oásis ? só águas

 

Rini Martin

do II Concurso Municipal de Conto e Poesia da Prefeitura Municipal de Guarulhos

quarta-feira, 3 de junho de 2020

UM POEMA DE RYNALDO PAPOY



Meu coração 
é como a bandeira de Israel 
no Líbano
 
Quem despreza
viverá o desprezo
 
E eu..cheguei ao limite
Agora, quero 
regurgitar sua imagem
 
Imagem de Universos em criação
Imagens de estrelas explodindo
Imagem de explosões nucleares
em Júpiter
Imagem da luz do sol
invadindo este banheiro.
 
Seus lábios não pertencerão
mais aos meus lábios
 
Dor.
 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

ZÉZINHO FRANÇA



Verso sobre o inverso
de diversos versos
Verso sobre o verso
que me dá na telha ;
Verso sobre o verso
que me dá um nó.
Faço tudo inverso
do que me dá na telha
Faço todo verso
que me deixa só
Invento versos avessos
Inverto veros versos
Faço falsos versos
fatos falsos
Versos em dó.

Zézinho França
(no  Informativo do Grupo Literário Letraviva.)

quarta-feira, 6 de maio de 2020

CASTELO HANSSEN

  

Eu queria fazer uma poesia
que fosse clara como a luz do dia
para ser consumida como o pão

Uma poesia assim
agridoce como a fruta do mato,
pura como a água do regato,
melodiosa como uma canção.

Uma poesia assim,
que trouxesse beleza em cada rima,
para ser cantada no trabalho,
para ser batucada na marmita,
para ser comentada nas esquinas.

Uma poesia assim.
comum e popular como a cachaça
que se bebe barato, que é de graça,
que é do rico, do pobre, do sem nome.
Uma poesia que todos entendessem
como todos entendem a palavra amor
ou a palavra fome...


(do livro Canção pro Sol Voltar )

Ilustração: Joaquin Sorolla Y Bastida
Maria pintando ao ar livre

quinta-feira, 23 de abril de 2020

J.J. MACEDO



Rio,
mas o meu riso é um rio 
que não corre mais
 
Rio,
meu riso estio
de margens áridas
e paisagens pálidas
 
Rio,
meu riso extinto,
seco : sertão.
 
J.J. Macedo
(do concurso municipal de poesia da Prefeitura de Guarulhos)
 
ilustração: Maquiagem de Palhaço por John Sloan (1909)  

quarta-feira, 8 de abril de 2020

VALDELI VILA NOVA


São muitos 
os estômagos - ocos
que roncam
Sinfonia inacabada
macabra desassistida
Tu, minha barriga
inimiga
de tantos sonhos
saqueada consumida
desnutrida vida
Diante de ti 
lavo minhas mãos
com o suor oprimido
e derramo minha poesia
sobre projetos e discussões
Olho outros homens mosqueados
que carregam cruzes e lâminas
pelas ruas das fábricas sem vagas
Juntai o resto dos homens
meus irmãos 
e morramos
morramos todos
é para que nunca
tenhamos que repetir coisas
e mastigar cacos
e derramar gargantas
e ferver papéis
e blasfemar
nunca mais
 
do livro " Licença Para a Vida "