A VARANDA
Sento-me à varanda
a contemplar a calma tarde
num raiar luzindo do sol
indo deitar ao crepúsculo...
Sinto em mim o nostálgico momento
e o meu peito arde
quando se aproxima a vindoura hora
do fenômeno augusto
Lentamente deita-se o sol
por detrás da montanha
Um rubro vermelho toma conta do céu agora
Arde mais o peito e o momento emociona
ao ver que vagarosamente
a montanha o sol devora .
Então é devorado o último raio
e as aves se recolhem
Em um só momento calam-se,
parecendo sofrer um profundo desmaio
Não mais cantam nem gorgeiam
nem se ouve um só lamento
Foi-se o dia, surgiu a noite
Tudo é treva agora...
Antonio Carlos Cipriano
( do Informativo Letra Viva, do Grupo Literário Letra Viva )
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
VAGALUME
(ao som do blues)
Todo dia,
antes do pôr do sol
ele pega sua lanterna
e vai pro centro da cidade
Todo dia,
antes do pôr do sol
ele pega sua lanterna
e encontra uma velha amiga mariposa
se debatendo
nos néons coloridos da cidade...
Wanderley B. Carvalho
( do livro "Antologia Letra Viva Sou Voz" , Guarulhos )
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
AS NOSSAS PEQUENAS LOUCURAS

Hoje é dia de reviver os fatos marcantes .
Remexer o baú e tirar velhas fantasias. Sapatos brilhantes e gravatas borboletas.Dançar a valsa e......Outra vez me surpreendo sonhando....
Os meus cabelos. Esse neve de portos que pousou sobre eles me fascina.
Fico emocionado. Feliz por acreditar que vivi.
Sou restos de uma era em que as pessoas se confraternizavam
com um simples olhar. Se amavam através de gestos.
As nossas pequenas loucuras são agora flores murchas.
É isso mesmo. Rosas que desfolharam, mas que ainda estão no vaso da sala. É verdade.Como o sol de verão que nos corroe o espírito.
Queima a pele e sua o corpo.
Como a tempestade que deixa no ar um cheiro de terra.
Folhas caídas e um aperto na garganta....
Remexer o baú e tirar velhas fantasias. Sapatos brilhantes e gravatas borboletas.Dançar a valsa e......Outra vez me surpreendo sonhando....
Os meus cabelos. Esse neve de portos que pousou sobre eles me fascina.
Fico emocionado. Feliz por acreditar que vivi.
Sou restos de uma era em que as pessoas se confraternizavam
com um simples olhar. Se amavam através de gestos.
As nossas pequenas loucuras são agora flores murchas.
É isso mesmo. Rosas que desfolharam, mas que ainda estão no vaso da sala. É verdade.Como o sol de verão que nos corroe o espírito.
Queima a pele e sua o corpo.
Como a tempestade que deixa no ar um cheiro de terra.
Folhas caídas e um aperto na garganta....
Walter Marcondes Alvarenga,
( trechos de "As Nossas Loucuras".)
Caderno Literatura do jornal Folha Metropolitana , de Guarulhos
Caderno Literatura do jornal Folha Metropolitana , de Guarulhos
Walther Alvarenga é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero – Fundação Cásper Líbero - , em São Paulo, tendo ocupado o cargo de Editor de Variedades da Rede Metropolitana de Jornais – “Folha Metropolitana” – quando lançou o Caderno de Televisão “Folha TV”; tendo sido colunista do jornal “Metro News”, que circula nas principais estações do Metro de São Paulo, com cerca de 1 milhão de exemplares distribuídos gratuitamente semanalmente.
Trabalhou como free lancer na Revista Contigo, a convite do então diretor de redação, Walcyr Carrasco, hoje novelista da Rede Globo. Atualmente é repórter do Jornal “Nossa Gente”, o principal veículo de comunicação da Comunidade Brasileira, que circula no Estado da Flórida, nos EUA
sábado, 28 de setembro de 2019
PEDRO DIAS GONÇALVES
A MINHA RUA
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Todos se recolhem com os seus problemas,
com o seu silêncio,
e ninguém se lembra de respirá-la.
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não tem crianças brincando de roda,
não tem namorados no portão,
não tem velhinhos conversando na calçada,
não tem alegria, não tem nada !
a minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não se ouve um soluço de violão
não se ouve uma voz cantando essa canção
não tem serenatas e nem perfume de rosas.
Só muros de concreto coroados de cacos de vidro,
grades de ferro nas janelas,
iluminação a mercúrio e novelas de televisão.
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Eu sinto uma saudade de outros tempos,
outros lugares, onde a noite era uma poesia
inteira e nua.
Todos queriam senti-la,
Mas hoje aqui neste lugar tão frio,
a minha rua é triste quando a noite chega,
pois eu fico sozinho esperando a lua !
Pedro Dias Gonçalves.
( do livro Momentos )
Pedro Dias Gonçalves pertenceu ao Grupo Literário Letra Viva , de Guarulhos ,
e foi funcionário público municipal.
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Todos se recolhem com os seus problemas,
com o seu silêncio,
e ninguém se lembra de respirá-la.
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não tem crianças brincando de roda,
não tem namorados no portão,
não tem velhinhos conversando na calçada,
não tem alegria, não tem nada !
a minha rua é tão triste
quando a noite chega !
não se ouve um soluço de violão
não se ouve uma voz cantando essa canção
não tem serenatas e nem perfume de rosas.
Só muros de concreto coroados de cacos de vidro,
grades de ferro nas janelas,
iluminação a mercúrio e novelas de televisão.
A minha rua é tão triste
quando a noite chega !
Eu sinto uma saudade de outros tempos,
outros lugares, onde a noite era uma poesia
inteira e nua.
Todos queriam senti-la,
Mas hoje aqui neste lugar tão frio,
a minha rua é triste quando a noite chega,
pois eu fico sozinho esperando a lua !
Pedro Dias Gonçalves.
( do livro Momentos )
Pedro Dias Gonçalves pertenceu ao Grupo Literário Letra Viva , de Guarulhos ,
e foi funcionário público municipal.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
MEDITAÇÃO
Se nos for oferecida
por uma noite, a melodia,
ouçamo-la em silêncio.
Se nos for permitida,
por um momento, a palavra,
sussuremo-la bem suave.
Se nos for concedida
por um instante, a graça,
manifestemo-la com amor.
Se nos for possível, ainda,
por um dia apenas, a humildade,
ser - nos - á desvelado,
por todo o sempre,
quão simples e maravilhoso
é o nosso misterioso interior
José Maurício Vieira
( do livro Academia Guarulhense de Letras - Amostragem Literária - Centenário da Emancipação Política de Guarulhos )
José Maurício Vieira é escritor e músico, membro da Academia Guarulhense de Letras.
terça-feira, 23 de julho de 2019
ADOLFO DE VASCONCELOS NORONHA
Creio no amor eterno, imorredouro,
e a persegui-lo vivo, na constante
angústia desta espera atribulante,
da fortuna mais rica do que o ouro.
Acontece que a vida é sorvedouro
das ilusões, num mundo cambiante
que, ao desenhar do afeto de um amante,
só pode renascer no amor vindouro.
Se crês no amor efêmero, somente,
guardas um coração tão indigente
quanto infeliz o espírito enfadonho...
A ventura maior fica comigo,
pois, apesar de tudo, inda persigo
aquele velho e sempre o mesmo sonho !
Adolfo de Vasconcelos Noronha
( do livro Academia Guarulhense de Letras - Amostragem Literária - Centenário da Emancipação Política de Guarulhos )
sábado, 20 de abril de 2019
CASTELO HANNSEN
Agora
eu sei
que cada alvorada traz um novo sol
E cada sol é um dia
E que na sucessão das madrugadas
está chegando o tempo de mãos dadas
está chegando o tempo da poesia
Agora
eu sei
que a dignidade humana, a verdade
a ternura, o amor, a liberdade,
cuja morte eu cansei de lamentar,
não morreram estavam hibernando,
mas que esse longo inverno está findando e está chegando
o tempo de acordar
Sete
anos, mais sete, se passaram
E talvez outros sete passarão.
Mas eu posso esperar, me preparando
pois o cheiro do povo está mostrando
que é tempo agora de dizer um não
Agora
eu sei
Que nossos mortos foram sepultados
Que nossos prantos foram enterrados
E a terra os devolve, satisfeita..
Nossa dor, nosso suor e luto
Foram semente boa, deram fruto
E está chegando o tempo da colheita..
CASTELO
HANSEN
-Guarulhos-SP)
( do livro
Academia Guarulhense de Letras -
Amostragem Literária - Centenário da Emancipação
Política de Guarulhos )
Aristides
Castelo Hansen é escritor e jornalista, fundador do Grupo Literário Letra Viva
e membro da Academia Guarulhense de Letras.
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