terça-feira, 23 de julho de 2019

ADOLFO DE VASCONCELOS NORONHA



Creio no amor eterno, imorredouro,
e a persegui-lo vivo, na constante
angústia desta espera atribulante,
da fortuna mais rica do que o ouro.

Acontece que a vida é sorvedouro
das ilusões, num mundo cambiante
que, ao desenhar do afeto de um amante,
só pode renascer no amor vindouro.

Se crês no amor efêmero, somente,
guardas um coração tão indigente
quanto infeliz o espírito enfadonho...

A ventura maior fica comigo,
pois, apesar de tudo, inda persigo
aquele velho e sempre o mesmo sonho !

 Adolfo de Vasconcelos Noronha

( do livro Academia Guarulhense de Letras - Amostragem Literária - Centenário da Emancipação Política de Guarulhos )

sábado, 20 de abril de 2019

CASTELO HANNSEN



Agora eu sei
que cada alvorada traz um novo sol
E cada sol é um dia
E que na sucessão das madrugadas
está chegando o tempo de mãos dadas
está chegando o tempo da poesia

Agora eu sei
que a dignidade humana, a verdade
a ternura, o amor, a liberdade,
cuja morte eu cansei de lamentar,
não morreram estavam hibernando,
mas que esse longo inverno está findando e está chegando 
o tempo de acordar

Sete anos, mais sete, se passaram
E talvez outros sete passarão.
Mas eu posso esperar, me preparando
pois o cheiro do povo está mostrando
que é tempo agora de dizer um não

Agora eu sei
Que nossos mortos foram sepultados
Que nossos prantos foram enterrados
E a terra os devolve, satisfeita..
Nossa dor, nosso suor e luto
Foram semente boa, deram fruto
E está chegando o tempo da colheita..

 CASTELO HANSEN
-Guarulhos-SP)

( do livro Academia Guarulhense de Letras -
Amostragem Literária - Centenário da Emancipação
Política de Guarulhos )

Aristides Castelo Hansen é escritor e jornalista, fundador do Grupo Literário Letra Viva e membro da Academia Guarulhense de Letras.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Em Guarulhos, Dona Maria reúne poesias e publica primeiro livro aos 72 anos

Em Guarulhos, Dona Maria reúne poesias e publica primeiro livro aos 72 anos

Agência Mural
A facilidade de transformar tudo o que sente e observa em poesia acompanha Maria Barros de Jesus, 74, desde que ela era uma menina no sertão de Pernambuco. Mas foi só depois de completar 72 anos, na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, que Dona Maria, como é conhecida, conseguiu publicar o seu primeiro livro.
A obra Minhas Composições traz 34 poemas que tratam de situações pessoais – em sua maioria, os dias tristes que passou em seu casamento. No entanto, reúne também textos sobre pequenos detalhes cotidianos, que são motivos de alegria para ela, como as abelhas que visitam suas flores no quintal no bairro de Bonsucesso, onde vive, na periferia do município.
Seus textos estavam em um caderninho cheio de rabiscos antes de serem publicados. Poemas sobre o seu primeiro ano de casada e até versos mais recentes, como um que homenageia um violeiro falecido há pouco tempo, foram descobertos pela sua neta de consideração, Aline, que a incentivou a transformá-los em livro.
“Muitas vezes, de noite eu perdia o sono e ficava sentada no sofá assistindo televisão e escrevendo. Era assim que acontecia”, conta.
Um de seus poemas preferidos fala sobre um dos aniversários da cidade de São Paulo (Foto: Thalita Monte Santo)
Segundo a autora, sua poesia sempre surgiu de forma natural e transita pelo estilo do cordel. Qualquer situação sempre foi motivo de inspiração, até mesmo a rotina.
A pernambucana natural da Vila de Umãs, na cidade de Salgueiro, afirma que aprendeu a escrever por conta da sua curiosidade. “Eu consegui aprender a escrever, graças a Deus, porque eu fazia cópia de tudo que eu via no livro. Era vírgula, era pontuação, era interrogação”, relembra.
Nascida em 1943, ela deixou a cidade jovem acompanhada pelos pais e foi morar em Minas Gerais, onde, apesar das adversidades, se formou no magistério e trabalhou como professora. Mas só em 1973 mudou-se para Guarulhos.
Por conta da escrita, um dos seus sonhos de criança sempre foi ser professora, e antes de se preparar para isso já ensinava os irmãos e os primos na roça. Durante algum tempo, trabalhou em uma biblioteca escolar e aproveitava para ler Machado de Assis. “Era o meu preferido”, diz.
Reunindo os poemas de uma vida inteira, a escritora, animada com a ideia de concretizar o livro, teve a ajuda do selo Dialética, uma editora independente da cidade de Guarulhos. Em abril de 2015, a aposentada lançou o livro na Casa das Rosas, na Avenida Paulista e, no mesmo dia, vendeu todos os exemplares que havia levado ao evento.
No mesmo ano da publicação, a Companhia Bueiro Aberto, coletivo de cinema da cidade de Guarulhos, produziu um mini-documentáriosobre a vida e trajetória da escritora.
Com carinho, ela se recorda que ao pegar os livros impressos pela primeira vez sentiu uma emoção muito forte. “Eu abracei e disse: meus filhos”. Hoje ela ainda não sabe se publicará outra obra, mas garante que não deixou de rascunhar seus pensamentos.
Thalita Monte Santo é correspondente de Guarulhos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

PEDRO DIAS GONÇALVES




Menino que corre, que salta, que chora
e usa calças curtas de suspensórios.
Carrega o estilingue no bolso rasgado
Levanta cedinho, como os raios do sol.

Menino do campo, livre como um pássaro,
que nada em cachoeiras e come araçás.
engraxa sapatos para comprar livros
e vai à escola aprender o bê-a-bá.

Menino traquinas que joga pedradas.
que solta papagaio, que roda o pião,
vende legumes na cidade pequena,
gosta de missas, de festas enfim.

Eu fui menino um dia, mudei-me prá longe
sepultei os meus sonhos, fiquei grande e morri.

Deixei o menino sorrindo na janela,
fazendo bolinhas de espuma de sabão,
Deixei o coreto e a bandinha tocando,
deixei marcas da infância no meu coração.

Deixei os meus livros, mistério profundo
da sabedoria dos mestres da história.
Deixei as minhas vontades para ser adulto,
deixei as janelas abertas no tempo,
as ruas ensolaradas, o grupo escolar,

Deixei meus irmãos e os velhinhos chorando,
perdi-me na estrada e não pude voltar !

Pedro Dias Gonçalves
- do livro " Momentos " -

Pedro Dias Gonçalves participou do Grupo Literário guarulhense Letra Viva .


terça-feira, 20 de novembro de 2018

VALDELI VILANOVA






Cadê minha fantasia,  meu estilingue,
minha falta de medo, minha ousadia,
meu riso, minha alegria ?

Por onde andou minha perna de pau ?
Onde anda meu balão
vermelho e verde com lanterninhas,
meu bornal, minha capucheta ?

Prá onde rodou meu pião batatinha,
minha bolinha de camurça,
minha fieira, meu chão,
minha falta de educação ?

Cadê minha estupidez,
minha boca suja, minha cara de gato,
minha ignorância, minha alienação ?

Cadê a carrocinha com carneiro
prá tirar fotografia,
o homem manco
que vendia embaré no portão,
a Dona Tereza que colhia lavagem
prá engordar seu leitão ?

Prá onde rodou meu pneu velho
( minha locomoção ? )
prá onde voaram os canarinhos
que faziam seus ninhos
debaixo do pé de mamão ?

Quem cortou as bananeiras,
os pés de mamona,
as touceiras de capim ?

Quem murou os campos,
empoeirou os trilhos, capou os postes,
encapou as ruas, travou as traves ?

Quem enterrrou meu paraíso?
Quem teve tanta falta de juízo
prá inventar que é preciso crescer ? !

Valdeli Vila Nova
- do livro " Licença Para A Vida "

Valdeli Vila Nova , além de escritor, ator e professor,  foi um fundadores do Grupo Literário guarulhense Letra Viva                                                                                                                



terça-feira, 3 de julho de 2018

JOSÉ MANUEL VIVEIROS




Prendem-se beija- flores
O homem não suporta a idéia
de não poder voar

José Manuel Viveiros
do livro " Inventário de Sentimentos"

José Manuel Viveiros , foi jornalista na cidade de Guarulhos ,além de ator e escritor., escrevia crônicas no jornal Diário de Guarulhos, foi um dos intelectuais mais importantes da cidade na década de 80 . Faleceu ainda jovem.

domingo, 17 de junho de 2018




O Grupo Literário Letra Viva foi fundado oficialmente em novembro de 1980, no município de Guarulhos, São Paulo.
Sua finalidade era congregar todos os literatos e simpatizantes do movimento literário , bem como " promover e incentivar a realização de eventos culturais como recitais e publicações " e também " promover e incentivar intercâmbio e colaboração de seus associados com entidades congêneres"..
Os sócios fundadores do Grupo Literário Letra Viva foram : Isabel Borazanian, Angelo Macedo de Oliveira, Oswaldo Rosa, José Edinaldo Freitas Couto, Cícera B. de Lima, Álvaro Levadinha, Aristides Castelo Hansenn, Carlos Alberto Almeida, Valdeli Pereira de Jesus, Pedro Brito, Wanderley Botelho Carvalho,Eduardo da Conceição e Dario Uzan Filho.
O Grupo Literário Letra Viva promovia recitais, concursos literários, editou livros e um informativo literário. Seu endereço oficial, era na Vila Moreira.
Durante a sua existência realizou vários eventos, como,por exemplo : JÁ É TEMPO DE POETAR, TRIBUTO A CHARLES CHAPLIN, POESIA NO BOSQUE, DIA DA POESIA, MOSTRA DE POESIA, CONCURSOS DE POESIA E RECITAIS/SARAUS MENSAIS. Em 1982 publicou o livro ANTOLOGIA LETRAVIVA, tendo como idealizadora e grande incentivadora a poeta Ciça B. Lima.
saiba mais em http://guarulhosdepontaaponta.com.br/tag/letraviva/